quarta-feira, 27 de março de 2013

Carta aberta aos empresários da cena LGBTTT


Nos últimos anos, o segmento LGBTTT vem desfrutando de conquistas a partir do trabalho árduo da sua militância e de apoiadores do segmento. Já é possível, para os homoafetivos, oficializar a relação em cartórios de alguns Estados brasileiros, apesar de ainda enfrentarem dificuldades.
Entretanto, nas últimas semanas, vimos ocorrer um absurdo na história deste país: a nomeação do deputado pastor Marco Feliciano PSC-SP como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Não bastasse a total inexpressão do deputado em relação à matéria, ainda estamos lidando com um homófobo, racista e misógino.
Meu objetivo nesta carta não é explicar como tudo isso se deu e nem realizar alguma crítica ao parlamentar. Quero que os empresários da cena LGBTTT leiam e reflitam sobre o segmento e possíveis posturas a serem adotadas. Não é novidade que o publico homossexual é uma parcela da sociedade altamente consumista, que viaja, vai pra balada e não costuma economizar para de entreterem. Porém, não há um retorno “social” desse dinheiro gasto, o chamado “pink money”.
Desculpem a minha sinceridade, mas é muito fácil investir em festas, casas noturnas e saunas para o segmento LGBTTT e não oferecer qualquer apoio no que se refere à luta homossexual, como nas manifestações que estão ocorrendo por todo o país contra o deputado Feliciano. Na semana em que o movimento LGBTTT juntamente com o movimento negro e o movimento feminista (o que é uma união muito organizada difícil de acontecer) estão protestando por todo o Brasil, inclusive na Câmara Federal, um importante site gay da capital federal apenas divulga as festas que ocorrerão na semana, sem publicar sequer uma notinha sobre os protestos contra o deputado.
Os empresários poderiam colaborar e muito com as manifestações. O movimento LGBTTT enfrenta duras batalhas no Congresso Nacional. Um exemplo disso, é que em qualquer votação em que esteja em pauta algum projeto que visa atender o segmento gay, a bancada evangélica se mobiliza e trata logo de levar o seu “rebanho” para o plenário onde ocorrerá a discussão. Nesse caso, poderia ser oferecido apoio financeiro para que pudéssemos fazer o mesmo, e lotar a casa do povo com nossos representantes.
Não podemos ficar vendo e ouvindo todas essas atrocidades contra os direitos humanos sem tomar nenhuma atitude. Todo apoio é bem-vindo! Caso não possam contribuir financeiramente, contribuam com um tempo na sua festa/boate/sauna divulgando o que está acontecendo e pedindo para que as pessoas participem das manifestações. Caso não possam colaborar das maneiras colocadas, enviem e-mails para os parlamentares e lotem a caixa deles para que eles vejam que estamos indignados e não aceitamos isso.
Chegou a hora em que todos e todas precisam entrar na luta. Chegou a hora da classe empresarial apoiar o movimento LGBTTT naquilo que é mais importante para gay e lésbicas: a conquista de direitos visando garantir uma vida digna, segura e constitucional.