Nos
últimos anos, o segmento LGBTTT vem desfrutando de conquistas a partir do
trabalho árduo da sua militância e de apoiadores do segmento. Já é possível,
para os homoafetivos, oficializar a relação em cartórios de alguns Estados
brasileiros, apesar de ainda enfrentarem dificuldades.
Entretanto,
nas últimas semanas, vimos ocorrer um absurdo na história deste país: a
nomeação do deputado pastor Marco Feliciano PSC-SP como presidente da Comissão
de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Não bastasse a total
inexpressão do deputado em relação à matéria, ainda estamos lidando com um
homófobo, racista e misógino.
Meu
objetivo nesta carta não é explicar como tudo isso se deu e nem realizar alguma
crítica ao parlamentar. Quero que os empresários da cena LGBTTT leiam e
reflitam sobre o segmento e possíveis posturas a serem adotadas. Não é novidade
que o publico homossexual é uma parcela da sociedade altamente consumista, que
viaja, vai pra balada e não costuma economizar para de entreterem. Porém, não
há um retorno “social” desse dinheiro gasto, o chamado “pink money”.
Desculpem
a minha sinceridade, mas é muito fácil investir em festas, casas noturnas e saunas
para o segmento LGBTTT e não oferecer qualquer apoio no que se refere à luta
homossexual, como nas manifestações que estão ocorrendo por todo o país contra
o deputado Feliciano. Na semana em que o movimento LGBTTT juntamente com o
movimento negro e o movimento feminista (o que é uma união muito organizada difícil
de acontecer) estão protestando por todo o Brasil, inclusive na Câmara Federal,
um importante site gay da capital federal apenas divulga as festas que
ocorrerão na semana, sem publicar sequer uma notinha sobre os protestos contra
o deputado.
Os
empresários poderiam colaborar e muito com as manifestações. O movimento LGBTTT
enfrenta duras batalhas no Congresso Nacional. Um exemplo disso, é que em
qualquer votação em que esteja em pauta algum projeto que visa atender o
segmento gay, a bancada evangélica se mobiliza e trata logo de levar o seu “rebanho”
para o plenário onde ocorrerá a discussão. Nesse caso, poderia ser oferecido
apoio financeiro para que pudéssemos fazer o mesmo, e lotar a casa do povo com
nossos representantes.
Não
podemos ficar vendo e ouvindo todas essas atrocidades contra os direitos
humanos sem tomar nenhuma atitude. Todo apoio é bem-vindo! Caso não possam
contribuir financeiramente, contribuam com um tempo na sua festa/boate/sauna divulgando
o que está acontecendo e pedindo para que as pessoas participem das
manifestações. Caso não possam colaborar das maneiras colocadas, enviem e-mails
para os parlamentares e lotem a caixa deles para que eles vejam que estamos
indignados e não aceitamos isso.
Chegou
a hora em que todos e todas precisam entrar na luta. Chegou a hora da classe
empresarial apoiar o movimento LGBTTT naquilo que é mais importante para gay e
lésbicas: a conquista de direitos visando garantir uma vida digna, segura e constitucional.
Nenhum comentário:
Postar um comentário