No dia 18 de setembro de 2011 aconteceu em Brasília - DF, o maior evento de direitos humanos da capital do Brasil. Segundo a imprensa local e os organizadores, desfilaram pelo eixão cerca de 50 mil manifestantes rumo a rodoviária da cidade.
Os participantes do evento eram os mais diversos possíveis. A chamada "festa da diversidade", reuniu em um mesmo espaço travestis, gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e os ditos simpatizantes. Compareceram também um grande número de crianças com seus respectivos pais, que se divertiram e fizeram parte dessa luta por direitos humanos.
Apesar de ser conhecida pela grande festa, a Parada LGBTTT tem sim, ao contrário do que afirmam alguns, seu caráter reivindicatório. A começar pela visibilidade, mostramos que estamos ali, lutando e gritando por direitos iguais, exigindo da sociedade e das esferas de poder o respeito e dignidade.
Pude participar do evento como voluntário, e estive à par do trabalho que é realizar a parada. Não é fácil colocar na rua uma festa que luta por direitos LGBTTT's. É necessário angariar fundos para que ela aconteça, e quando se trata de algo voltado para o público da diversidade, não é fácil, dificuldade essa que também chega através do preconceito.
O objetivo da Parada não se resume ao domingo colorido, existem projetos que vão além. Um deles, prevê a exposição de seminários em colégios do Distrito Federal para o debate sobre o bullying homofóbico, que agride e retira os jovens do caminho da educação, inviabilizando uma trajetória de sucesso profissional.
Criticar um evento é muito fácil, o difícil é se integrar e trabalhar conosco. Faça sua parte!
Beijo para quem é de beijo, abraço para quem é de abraço.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
A chacina de Realengo e a sociedade neoliberal
Hoje, dia 07/04/2011 fomos acordados vendo mais uma tragédia anunciada em todas as emissoras de rádio e tv. Tratava-se de uma chacina, como aquelas que costumam acontecer nos Estado Unidos da América. A de hoje aconteceu na cidade maravilhosa, sede da copa do mundo de 2014 e das olimpíadas de 2016.
No bairro de Realengo, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, um rapaz de 23 anos entrou em sua antiga escola alegando que apresentaria uma palestra. Wellington Menezes de Oliveira estava fortemente armado e tinha planejado um assassinato em massa. Tinha conhecimento de armas e uso das mesmas, inclusive seu regarregamento. Antes de entrar na Escola Municipal Tasso da Silveira, Wellington alvejou duas pessoas e após entrar começou o massacre. O autor dos disparos matou de imediato 11 crianças e adolescentes e feriu outros. A polícia foi chamada e conseguiu parar o assassino com um tiro na perna, mas Wellington cometeu suicídio logo em seguida.
Todo esse horror transmitido tem seu reflexo na nossa sociedade, de mercado, elitista e individualista. Ficamos chocados com as cenas e depoimentos mas somos incapazes de enxergar a nossa culpa no ato de Wellington. Temos então um adulto que por anos sofreu bullying, sofria de distúrbios mentais, teve tratamento negligenciado que veio à tona com a morte de sua mãe. Com todo esse histórico, o autor da chacina preparou-se, escreveu uma carta e foi em direção a sua antiga escola, como uma forma de mostrar sua insatisfação por tudo o que passou, uma forma de mostrar que ele estava ali, que não era ouvido, e que por isso deixaria sua marca na história do Brasil. E conseguiu.
Agora a mídia busca explicações para o ocorrido, mas a verdadeira causa disso tudo não será informada pela imprensa burguesa pois ela é conivente com o modelo político-ideológico dominante. Estão culpando até o Islã, que não tem relação alguma com o caso, tendo em vista a carta deixada por Wellington que manifestava uma fé cristã fundamentalista!
Chacinas como essa são corriqueiras na terra do Tio San, retrato da sociedade armamentista que sustenta a américa, resultado da arma fácil e da justiça com as próprias mãos. Chegou no Brasil o que acontece nos EUA, resultado da aproximação deles com as terras tupiniquins. Estamos a beira do caos? Na minha opinião, já estamos nele há um bom tempo. Com a inserção do modelo desenvolvimentista neoliberal, veio a sociedade moderna, contemporânea, essa sociedade que pensa no lucro, no lucro e no lucro também.
Não pasmem com os absurdos que virão e estão por vir, que não vão se esgotar enquanto esse modelo econômico não for extinto. Enquanto direitos forem negligenciados e a violência escolar não for reprimida e sanada, mais Wellingtons aparecerão por aí.
Beijo pra quem é de beijo, abraço pra quem é de abraço.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
População em Situação de Rua
No ano passado, 2010, tive o privilégio de participar como entrevistador do 1º Censo com a População de Rua do Distrito Federal. Primeiro por uma questão de abrangência. O IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, não contabiliza nem entrevista a população que reside nas ruas, e o único censo até então realizado foi o do Ministério das Cidades que selecionou o Distrito Federal e outras cidades brasileiras, ou seja, não alcançou seu público alvo por completo.
O Censo que participei foi a todas Regiões Administrativas do Distrito Federal e aplicou um questionário com crianças, adolescentes e adultos. Os que se recusavam a responder, tinham sua liberdade respeitada e eram somente contabilizados. O objetivo era que toda a população de rua do DF pudesse ser ouvida, ter voz ativa pelo menos uma vez.
No final do trabalho, bastante exaustivo, pude perceber que já não era a mesma pessoa. A partir das histórias de vida, desabafos, choros e indignação, conheci seres humanos fantásticos com experiências emocionantes.
Ao contrário de que muita gente pensa, essas pessoas são extremamente trabalhadoras e só estão na rua por total omissão do Estado e exploração do sistema capitalista, que impõe a pobreza extrema para sustentar a riqueza burguesa.
Sugiro aos "intelectuais" momentâneos, aqueles que gostarm de dar pitacos, que nunca se quer leram ou estudaram essas pessoas que vivem à margem da sociedade, que procurem conhecê-las, conversar com elas e entenderem por que estão ali. Ninguém está na rua por vontade pessoal, mas estão por não ter realmente para onde ir.
Alguns falam: AH! Mas os drogados e bêbados estão na rua para usarem suas drogas. Não! Quem está na rua e se droga, é devido aos problemas que passam e por não terem forças pra sobreviver àquela situação. Conheci um senhor que não conseguia se levantar de um colchão, estava a meses sem tomar banho, fazia suas necessidades por ali mesmo e o pior, a noite, as ratazanas andavam em cima dele a procura de comida. Ainda por cima, o filho desse senhor, visitava-o as vezes para pegar sua aposentadoria.
São pessoas assim, sem nenhum tipo de assistência, que vivem nas ruas, com suas famílias, tentando sobreviver nesse caos. O nosso trabalho não terminou na última questão do questionário, em breve o relatório será apresentado e a mobilização se formará. Iremos ao poder público pois a Constituição Federal garante a moradia digna a todos os brasileiros.
Negligenciar quem não tem voz, é covarde e desumano. Assistentes sociais. sociólogos, estudantes e o Movimento Nacional da População de Rua, irão se unir nessa briga.
"Suba o Primeiro degrau com fé. Não é necessário que você veja toda a escada. Apenas de o primeiro passo". Martin Luther King
Beijo para quem é de beijo, abraço para quem é de abraço.
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