No ano passado, 2010, tive o privilégio de participar como entrevistador do 1º Censo com a População de Rua do Distrito Federal. Primeiro por uma questão de abrangência. O IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, não contabiliza nem entrevista a população que reside nas ruas, e o único censo até então realizado foi o do Ministério das Cidades que selecionou o Distrito Federal e outras cidades brasileiras, ou seja, não alcançou seu público alvo por completo.
O Censo que participei foi a todas Regiões Administrativas do Distrito Federal e aplicou um questionário com crianças, adolescentes e adultos. Os que se recusavam a responder, tinham sua liberdade respeitada e eram somente contabilizados. O objetivo era que toda a população de rua do DF pudesse ser ouvida, ter voz ativa pelo menos uma vez.
No final do trabalho, bastante exaustivo, pude perceber que já não era a mesma pessoa. A partir das histórias de vida, desabafos, choros e indignação, conheci seres humanos fantásticos com experiências emocionantes.
Ao contrário de que muita gente pensa, essas pessoas são extremamente trabalhadoras e só estão na rua por total omissão do Estado e exploração do sistema capitalista, que impõe a pobreza extrema para sustentar a riqueza burguesa.
Sugiro aos "intelectuais" momentâneos, aqueles que gostarm de dar pitacos, que nunca se quer leram ou estudaram essas pessoas que vivem à margem da sociedade, que procurem conhecê-las, conversar com elas e entenderem por que estão ali. Ninguém está na rua por vontade pessoal, mas estão por não ter realmente para onde ir.
Alguns falam: AH! Mas os drogados e bêbados estão na rua para usarem suas drogas. Não! Quem está na rua e se droga, é devido aos problemas que passam e por não terem forças pra sobreviver àquela situação. Conheci um senhor que não conseguia se levantar de um colchão, estava a meses sem tomar banho, fazia suas necessidades por ali mesmo e o pior, a noite, as ratazanas andavam em cima dele a procura de comida. Ainda por cima, o filho desse senhor, visitava-o as vezes para pegar sua aposentadoria.
São pessoas assim, sem nenhum tipo de assistência, que vivem nas ruas, com suas famílias, tentando sobreviver nesse caos. O nosso trabalho não terminou na última questão do questionário, em breve o relatório será apresentado e a mobilização se formará. Iremos ao poder público pois a Constituição Federal garante a moradia digna a todos os brasileiros.
Negligenciar quem não tem voz, é covarde e desumano. Assistentes sociais. sociólogos, estudantes e o Movimento Nacional da População de Rua, irão se unir nessa briga.
"Suba o Primeiro degrau com fé. Não é necessário que você veja toda a escada. Apenas de o primeiro passo". Martin Luther King
Beijo para quem é de beijo, abraço para quem é de abraço.
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